Muitas vezes, no consultório de psicologia e terapia sexual, percebemos que o uso de preservativos e barreiras de proteção é automaticamente associado apenas à penetração. No entanto, a prática do sexo oral — seja a felação ou o cunnilingus — envolve uma troca intensa de fluidos e o contato entre mucosas que, embora prazerosos, não estão isentos de riscos.
Manter a saúde sexual em dia é um pilar fundamental da saúde mental e do bem-estar do casal. Quando ignoramos a proteção por tabu ou falta de informação, abrimos margem para ansiedades e complicações que poderiam ser evitadas com diálogo e estratégias práticas.
Por que a Proteção é Necessária?
Diferente da crença popular, a saliva não é um agente esterilizante. A boca e a garganta podem ser portas de entrada e reservatórios para diversas Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Entre as mais comuns na prática oral estão:
HPV (Papilomavírus Humano): Pode causar lesões verrucosas na orofaringe e está ligado a riscos de longo prazo.
Sífilis e Gonorreia: Infecções bacterianas que podem apresentar sintomas sutis ou serem assintomáticas na fase inicial.
Herpes Simplex: Cuja transmissão ocorre pelo contato direto, mesmo quando não há feridas ativas visíveis.
Estratégias de Proteção e Redução de Danos
Para casais que desejam integrar a segurança à sua rotina sem perder a espontaneidade, existem caminhos técnicos e comportamentais:
1. Uso de Barreiras Físicas
Para o sexo oral no homem, o preservativo (de látex ou poliisopreno) continua sendo a melhor escolha. Uma dica clínica para aumentar o conforto é aplicar uma gota de lubrificante à base de água na ponta interna do preservativo antes de colocá-lo, o que melhora a sensibilidade térmica e tátil.
Para o sexo oral na mulher, utiliza-se o Dam de Látex (ou dique de borracha). Caso não tenha o material em mãos, é possível adaptar um preservativo masculino: corte a extremidade e a lateral, transformando o cilindro em um quadrado de látex que deve ser posicionado sobre a vulva.
2. Higiene e Autoconhecimento
Um ponto de atenção crucial é evitar a escovação dental ou o uso de fio dental imediatamente antes da prática. Isso porque essas atividades podem gerar microfissuras na gengiva, facilitando a entrada de microrganismos. Além disso, a inspeção mútua — olhar o corpo do parceiro com naturalidade e cuidado — ajuda a identificar qualquer alteração que peça um adiamento da prática e uma consulta médica.
O Papel do Diálogo e da Assertividade
Como trabalhamos na perspectiva de Zilda Del Prette e Aline Sardinha, a comunicação assertiva é a chave. Propor o uso de proteção não deve ser interpretado como falta de confiança, mas como um pacto de cuidado mútuo.
Muitas vezes, a resistência ao uso de barreiras esconde dificuldades de negociação ou mitos de gênero. Se você sente que "cortará o clima" ao pedir proteção, lembre-se: o prazer real só existe onde há segurança e consentimento pleno.
Referências e Base Teórica
Terapia Cognitiva Sexual: Teoria e Prática (2ª Edição);
Manual de Gênero e Sexualidade na Psicoterapia: Fundamentos Teóricos e Intervenções Clínicas;
Ana Canosa: Sexoterapia: Desejos, Conflitos, Novos Caminhos em Histórias Reais;
Dra. Aline Sardinha: Protocolos clínicos em saúde e terapia sexual;
Habilidades Sociais: Fundamentos de Zilda e Almir Del Prette e Vicente Caballo.
Cuidar da sua vida sexual é cuidar da sua saúde integral. Se você ou seu parceiro encontram barreiras emocionais para falar sobre esses temas, a psicoterapia pode ajudar a destravar essa comunicação. Agende uma consulta na Clínica Ame-se com Geise Campêlo e fortaleça sua autonomia e prazer.

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